sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Alice Restaurante

Minha experiência com o restaurante Alice vem muitos anos após sua abertura. Acabei por não conhecer o seu espaço original no Lago Norte, mas somente a sua nova casa depois da mudança para a QI 17 do Lago Sul. Não consigo explicar a minha relutância... mas tenho sérias suspeitas que isso foi devido ao "frenesi" do público brasiliense gerado pelo marketing maciço em torno do Restaurante Alice. Não gosto de frenesis... sempre acho que esses êxtases coletivos nos fazem ver a realidade com uma pitada de exagero. No entanto, venci essa relutância e, finalmente, fui ao Alice.

Logo presto atenção nos detalhes que fazem diferença. E o primeiro "detalhe" foi o atendimento à porta: cortez, profissional, atencioso e deligente. Esses elogios só iriam se confirmar ao longo desse jantar de quinta-feira. O maître e os garçons são impecáveis (com a única ressalva de que o sommelier poderia ser mais ativo e ter mais presença junto aos comensais). A Chef Alice Mesquita, além de acompanhar sua equipe de cozinha com especial zêlo, vai à mesa para ter um contato mais pessoal com o cliente. O que deveria ser praxe, não é mais tão comum nos tempos modernos. No compto geral, confesso que conto nos dedos de uma mão a quantidade de restaurantes com um atendimento tão especial.

No quesito culinária, o Restaurante Alice definitivamente se mostra como um dos TOP 5 restaurantes da cidade. Se é verdade que a variedade dos pratos poderia ser um pouquinho maior, é igualmente verdade que a opção de cada prato expressa o requinte exigido por sua proposta francesa. A apresentação é bela, sendo que a guarnição vem à mesa em combuquinhas da Le Creuset. Chamo atenção para o 'Duo de Truites' acompanhado de couscous marroquino e composto por um filé de truta recheado com um outro filé de truta defumado. É um prato que se destaca por sua delicadeza. A harmonia é bem trabalhada.

Só me decepcionei um pouco com a carta de vinhos. Ao entrar e ver imponentes adegas climatizadas em destaque no restaurante, esperava encontrar uma seleção mais interessante na carta. De todos os modos, pela proposta francesa da casa, me agradou a relativamente vasta seleção de bons vinhos rosés (que já são raros de se encontrar no país).

Minha conclusão:
A casa é especial e dou meus parabéns à chef autodidata Alice Mesquita. O restaurante se afirma como um dos melhores da cidade, certamente. Mas, estava eu correto no meu "pré-conceito" sobre o "frenesi"? É verdade que o restaurante ganhou 1 estrela no Guia Quatro Rodas 2008 e que a própria chef é reconhecida como uma das melhores do país. Mas, ao saber que o restaurante foi listado por Patrícia Schults como um dos "1.000 lugares para se conhecer antes de morrer", daí foi a gota d'água! A autora precisa sair mais de casa. Nessas horas, devaneio imaginando: "coitado do Chef Alex Atala que teve seu restaurante paulistano D.O.M eleito como o 38o melhor do mundo e que não é um dos 1.000 lugares para se conhecer antes de morrer!". Em todo o caso, acredito que faltem 999 lugares para conhecer em tempo de vida... tenho que correr. O Restaurante Alice é ótimo. Mas sua extraordinariedade é uma construção midiática.

Notas
Ambiente 4
Som / Música 4
Atendimento 5
Carta de Vinhos 3


Cozinha
- Apresentação 5
- Harmonia 4
- Variedade 4
- Personalidade 4

Custo/Benefício: 4
Nota Geral: 4

SHIS QI 17, Bl. F - Ed. Fashion Park - Brasília - DF
Telefone: (61) 3248-7743 ou 7699

http://www.restaurantealice.com.br/

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

O Convento

Revelarei algo: há muito tempo desconfio dos critérios do prêmio do Guia Quatro Rodas. Essa desconfiança é a minha sombra desde que vi o 'La Chaumière' em Brasília receber o prêmio ano após ano. Ora! O 'La Chamière' é uma fraude como um restaurante francês sério. Como conseguiu ganhar uma estrela sequer num clube tão seleto de restaurantes em todo o Brasil? Reconheço a importância do prêmio, mas sou obrigado a apontar seus vários deslizes, ainda mais quando vejo que 'O Convento' também foi agraciado com uma estrela.

Situado estratégicamente na Casa D'Italia, em pleno Eixo L 208/209 da Asa Sul, 'O Convento' sempre despertou minha curiosidade. De propriedade da mineira Maria Christina Costa, esse restaurante é decorado com antiquidades provenientes da demolição de um convento de Minas Gerais. Não é a toa que o restaurante também funciona como um antiquário em que todas as peças da loja, sem exceção, estão à venda. No meu afã de experimentar algo como uma cozinha "mineira-fusion" (!), não poderia ser um maior entusiasta para conhecer esse restaurante.

Tendo recebido o prêmio Quatro Rodas (1 Estrela) pelo terceiro ano consecutivo, o que não é pouco considerando que este é o reconhecimento mais importante do país, me enchi de esperanças para o jantar. Indo direto à conclusão da ópera: tragédia.

O serviço é simpático, mas está a anos-luz de ser padronizado. Não é culpa dos garçons, é falta de treinamento por parte da gerência. A carta de vinhos tenta ter variedade, oferecendo aos clientes um leque de países do Velho e do Novo Mundo. No entanto, a carta poderia ter sido montada com mais sensibilidade na escolha, talvez por meio de uma assessoria técnica mais atenciosa. Quanto ao ambiente, é verdade que as antiquidades criam uma atmosfera diferente e cativante para o cliente. Mas muitos, muitos, detalhes precisam ser revistos, para começar com a iluminação e com peças que não se casam com a proposta da casa. Me preocupo com esses detalhes pois eles afetam, inclusive, o aconchego. Mas, justiça seja feita: achei de bom gosto a coleção de vasos antigos visível de todos os cantos do restaurante, além dos móveis rústicos que não se repetem de mesa para mesa.

Mas e a culinária afinal? A casa ousa em colocar pratos tão regionais (como frango ao molho pardo) lado-a-lado de pratos da cozinha internacional. Isso me animou a ter duas experiências: a "Ave do Paraíso" (peito de pato ao molho de amoras com cassis, raclette de brie, coulis de figos e blinis de aipim) e a "Descoberta do Paraíso" (filé de linguado ao molho de alcaparras e nirá servido com banana flambada). Com essa amostragem, notei que a apresentação dos pratos tenta ser profissional, mas o fato é que ela não consegue esconder muitos traços amadorísticos. A harmonia peca (a Ave do Paraíso é por demais adocicado, por exemplo). Porém, nem tudo está perdido. Há outros detalhes que merecem destaque, como as sobremesas típicas e os licores caseiros servidos em belas licoreiras (jaboticaba, genipapo, entre outros).

'O Convento' tem um real potencial para ser um grande restaurante. A sua proposta é rica e atrai. Mas, nas condições atuais de atendimento, ambiente e culinária, está longe de merecer uma estrela sequer no Guia Quatro Rodas (lembrando que, em Brasília, há apenas 11 restaurantes que receberam o prêmio). 'O Convento' merece estar nesse hall da fama? Vai da sua opinião também. Mas até que passe por uma profunda restruturação, 'O Convento' não há de estar entre as minhas recomendações.


Notas
Ambiente 3
Som / Música 2
Atendimento 2
Carta de Vinhos 2

Cozinha
- Apresentação 2
- Harmonia 2
- Variedade 4
- Personalidade 2

Custo/Benefício: 2
Nota Geral: 2

EQS 208/209, Eixo L, Asa Sul - Brasília - DF
Dentro do Casa D'Italia
Telefone: (61) 3343-3104

http://www.oconvento.com.br/

sábado, 10 de novembro de 2007

Feijoada no Piantella

Tentarei fazer uma análise "imparcial", mas não escondo que sou especial fã do Piantella. É a sala de almoço e jantar das autoridades nacionais por excelência. Se a Praça dos Três Poderes é o palco das decisões da República, esse restaurante é o corredor de suas articulações (o que pode ser bom ou mau, mas vou me controlar para não fazer deste blog um blog político... isto é um projeto à parte).

É um restaurante de cozinha internacional, com influências francesas e italianas. Têm um profundo toque de sofisticação em seu ambiente: paredes em 'boiserie' francesa, belos lustres, vistosos arranjos florais e um belo teto de vidro sobre o qual há uma corrente de água. Tudo em harmonia e bom gosto. O restaurante também conta com dois ambientes que são o verdadeiro 'must' da Capital: a adega e o bar. A adega é uma representação direta da Expand, a maior importadora de vinhos da América Latina, o que permite uma grande variedade na carta de vinhos. Dentro da adega há o Espaço Ulisses Guimarães, contendo memórias deste político que usava o restaurante como seu escritório. Quanto ao bar, é único no Centro-Oeste: paredes em sóbria 'boiserie' inglesa, piano de calda, respeito aos apreciadores de charutos, belos quadros e móveis.

Desenhado o cenário, gostaria de falar sobre a experiência da FEIJOADA aos sábados. Se me recordo bem, ela foi a eleita a melhor da cidade em anos anteriores. E merece. Variada, saborosa, feita com capricho e com personalidade, a feijoada do Piantella é a minha recomendação para os apreciadores. A caipirinha é incluída no buffet. Fiel à regra, o restaurante também tem no sábado a frequência da (boa) elite da cidade, estimulada pela excelente culinária, ambiente e atendimento impecável. Ah! E tudo isso com a um preço justo, o que é um exemplo para os demais restaurantes da Capital. Não poderia ser um maior entusiasta.


Notas
Ambiente 5
Som / Música 4
Atendimento 5
Carta de Vinhos 5

Cozinha
- Apresentação 5
- Harmonia 4
- Variedade 4
- Personalidade 4

Custo/Benefício: 5
Nota Geral: 5

CLS 202, bloco A, loja 34.
Telefone: (61) 3224-9408 / (61) 3223-5034
www.piantella.com.br

Forneria Marietta

Sinto que o Forneria Marietta cai no agrado dos brasilienses. É um ambiente aconchegante e alegre. Gosto de suas paredes em pastel amarelo, combinados com muitos objetos minimalistas de decoração, além de seus tradicionais retratos em preto-e-branco testemunhando várias cenas antológicas (de Audrey Hepburn à Marylin Monroe). Dividida em três ambientes, incluindo um segundo andar, a casa passa ao cliente a sensação de espaço. Talvez seja esse ambiente que atraia um público tão eclético (vi jovens, senhores, casais, famílias e vários grupos de amigos aproveitando a agradável sexta-feira à noite). O forte da casa são as pizzas e os sanduíches vindos do forno à lenha no interior do próprio restaurante (ou seja, esqueça de pedir os risottos que, muito infelizmente, são uma fraude).

O menu têm opções interessantes e variadas em sintonia com o propósito da casa. As pizzas têm massa finíssima e crocante, pouco molho e uma personalidade que agrada. Só não gostei da opção de rodízio implementada no Forneria, já que não combinou nada com seu ambiente fechado, decoração e com seu ambiente mais seleto em comparação às pizzarias lotadas de estudantes na cidade. Quanto ao atendimento... hmmm... talvez a casa precise de um maître ou uma hostess com maior presença, personalidade e deligência para atender às demandas dos clientes à porta do estabelecimento. Os garçons, pelas conversas entre eles, se distraem com facilidade na tomada dos pedidos dos clientes. Mas são simpáticos, o que sempre ajuda. A carta de vinhos é despretenciosa, mas compatível com a perspectiva do local. Sua relação custo benefício é satisfatória. Certamente, deixo este restaurante com uma sugestão para o público desejoso de uma pizza ou sanduíche em lugar um tanto mais sofisticado.

Notas
Ambiente 4
Som / Música 2
Atendimento 2
Carta de Vinhos 3

Cozinha
- Apresentação 3
- Harmonia 3
- Variedade 4
- Personalidade 4

Custo/Benefício: 4
Nota Geral: 3

SCLS 210, Bloco C, Loja 18 Brasília - DF
Telefone: (61) 3242-2357
www.marietta.com.br